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Senador José Serra discute crise econômica e política do Brasil em palestra na cidade de Itapevi


O senador José Serra esteve sexta-feira, dia 27/11, na cidade de Itapevi, onde proferiu a palestra intitulada “A situação econômica do Brasil e perspectivas para o futuro”, a convite do presidente do Diretório Municipal do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de Itapevi e subsecretário de Estado de Assuntos Parlamentares, João Caramez. Mais de 200 pessoas prestigiaram o evento que aconteceu no Centerplex Itashopping e foi realizado em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Itapevi- Acita.
“É motivo de orgulho e satisfação receber não apenas um senador, mas um verdadeiro estadista que preza pela gestão transparente e lisura no trato com o recurso público”, disse João Caramez que ressaltou a experiência de José Serra no exercício das funções de senador, prefeito de São Paulo, deputado, ministro da Saúde e do Planejamento e governador do Estado. Ele também falou da atuação de Serra na região Oeste da Grande São Paulo, uma das que mais receberam investimentos quando foi governador do Estado. Entre as obras citadas estão a implantação do Ambulatório Médico de Especialidades- AME, a remodelação da Linha 8- Diamante da CPTM (Itapevi/Amador Bueno- Júlio Prestes) e a reconstrução do Trevo de Acesso aos municípios de Jandira e Itapevi pela Rodovia Castelo Branco. “Serra sempre atendeu ao pleito da população da nossa região e realizou importantes obras como governador e ainda como ministro garantiu a retomada das obras de construção do Hospital Geral de Itapevi”, citou Caramez antes de passar a palavra ao senador.
O palestrante iniciou sua explanação destacando questões sobre a economia nacional. O principal indicador do nível da atividade econômica, o PIB, que teve uma contração em torno de 3%, foi destacado. “Como o setor agropecuário, ao longo do ano, teve uma performance razoável (crescimento em torno de 2%) e a área de serviços sempre varia em torno da média, os dados ruins sobre o PIB escondem algo pior: a evolução catastrófica da indústria manufatureira, cujo produto caiu em torno de 11%”, afirmou Serra que destacou ainda que a marcha para a ruína do setor, iniciada pela política econômica do segundo governo Lula, avança. “O produto industrial nunca mais superou o nível de 2008. A grande marca econômica da era petista é a desindustrialização do Brasil. ”
Do ponto de vista social (oferta de serviços básicos, dos rendimentos e do emprego), José Serra afirmou que o quadro adverso deste ano irá se acirrar nos próximos meses. “Falando na média, em parte, isso se deve ao fato de que as consequências do desemprego sobre a renda e a demanda das famílias são proteladas no Brasil em virtude dos benefícios recebidos por quem é demitido. O trabalhador com carteira assinada que perde o emprego recebe pelo menos o saldo do FGTS recolhido, mais multa de 40% sobre esse saldo, seguro desemprego, aviso prévio de um mês, férias proporcionais (incluindo o abono de férias) e fração de décimo-terceiro salário. Somados, esses benefícios dão alívio temporário para os recém desempregados. Por isso, os efeitos da onda recente de desemprego tenderão a se manifestar com intensidade crescente nos primeiros meses de 2016”, explicou.
A respeito da política nacional e os escândalos de corrupção, José Serra destacou que o país vive uma crise séria. “Há um governo isolado. Hoje, o Brasil não está dividido. O país inteiro está impaciente por não ter governo”, citou ressaltando ainda a crise moral de grande envergadura que está ligada as questões da Operação Lava-jato, a maior investigação sobre corrupção conduzida até hoje no Brasil que começou investigando uma rede de doleiros que atuavam em vários Estados e descobriu a existência de um vasto esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo políticos de vários partidos e as maiores empreiteiras do país. “Vemos um país em que a corrupção virou método, não é fato isolado. É assustadora a forma complexa e entrelaçada do sistema de desvio do dinheiro público. É uma coisa espantosa. ”
O presidente da Acita, Walter Mesa, abriu a série de perguntas após a palestra. “Os empresários costumam falar que não é fácil ser empresário. Para ter sucesso como empresário no Brasil precisa ser trabalhador, ter determinação, ser bom no que faz e competente na atividade que você escolheu. Isso seria mais que suficiente em qualquer lugar, mas no Brasil não é. Precisa ter uma bola de cristal. Diante desta realidade, o que o senador enxerga para o pequeno empresário nos próximos seis meses?”
O senador respondeu que há expectativa se o governo sair logo, caso contrário, terá que teimosamente subsistir até que isso possa acontecer. “Tem que rezar também e torcer para que o imprevisto possa acontecer e jogar do nosso lado. Precisa estar pronto para aproveitar o imprevisto e não pode desistir. Você pode ser aliviado por mais ou menos tempo dependendo dos fatores óbvios: efeitos da Operação Lava-jato, questão social e a Dilma. Tem que pesar tudo isso. Estamos num mar de incertezas”, disse o senador ressaltando a necessidade de uma mudança política de grande profundidade. “A economia dependerá mais do que nunca da política. O atual governo, inepto, inseguro, sem rumo nem sustentação congressual, é um elo decisivo do círculo vicioso que empurra o Brasil para trás e para baixo. ”

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