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Mecânico morre após ser agredido por PM em Itapevi

O mecânico Eduardo Alves dos Santos, de 42 anos, morreu nesta segunda-feira (16) em Itapevi, na região metropolitana de São Paulo, depois de ser agredido pelo policial militar A.S.A..
De acordo com a declaração de óbito do homem, o que causou a morte foi uma hemorragia interna traumática causada por um agente contundente.
A viúva do homem conta que o marido sofria de alcoolismo e que no início da semana decidiu dar um fim ao casamento depois de ter objetos da sua casa quebrados e suas roupas rasgadas.
Com medo de uma possível reação negativa do homem, Fernanda Camargo dos Santos, de 36 anos, ligou para a Policia Militar para que auxiliassem na saída de sua casa.
Dois policiais chegaram para atender a ocorrência. De acordo com Fernanda, os PMs foram conversar com o homem e ele se negou a falar com os agentes. Como ele “não deu atenção” para os policiais, a viúva diz que o policial bateu no ombro do homem e gritou com ele. Em seguida, ele teria dado um empurrão no mecânico.
— Ele estava de chinelo e segurou na farda [do policial] e rasgou. Ele deu uma rasteira no meu marido. Ele bateu com a cabeça no chão. O policial ficou louco, começou a espancar, chutar...
Fernanda diz também que o outro policial que atendia ao chamado tentava o tempo todo acalmar o PM e separar a briga dizendo para “não faz isso”. Para se justificar, a viúva diz que o PM dizia: “Olha o que ele fez com minha farda”.
— Ele rasgou, mas mereceu morrer? Eu falava “você vai matar ele” e ele respondia “mas não foi você que chamou a gente”?

De acordo com a advogada Yasmin Cascone, especialista em direito da mulher e membro da Rede Feminista de Juristas, a mulher agiu corretamente chamando a polícia para acompanhar sua saída de casa. Esse, segundo ela, é o procedimento padrão para casos como este.
Segundo a viúva, depois da agressão, todos foram para a delegacia de polícia de Itapevi e o mecânico estava consciente. Lá, Fernanda diz que o policial negou ter agredido o homem e disse que Santos tinha reagido à prisão.
Chorando muito, a mulher conta que na sequência o marido começou a convulsionar na frente dela e de todos que estavam presentes no local. Ela diz que gritava que o marido estava morrendo e que não acreditavam nela.
— Eu tive que fazer massagem cardíaca nele. Ele morreu dentro da delegacia. Chegou a ambulância e fizeram o pronto atendimento. Disseram que ele morreu no meio do caminho, mas ele morreu dentro da delegacia, nos meus braços. Eu senti a última respiração dele.

O casal viveu junto durante 23 anos e tiveram uma filha, que tem 17 anos. De acordo com o boletim de ocorrência registrado na delegacia do município, a mulher alegou que nunca sofreu violência doméstica e que não foi agredida ou ameaçada pelo marido.
— Eu mesma chamei o assassino do meu marido. Não era para matar meu marido. Era para dar um auxílio. Eu jurei no caixão dele que eu ia fazer justiça nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida.
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, o mecânico já tinha um histórico de convulsões por conta do abuso do álcool, mas que ele nunca tinha passado “tão mal”.

Uso progressivo da força

Durante depoimento, o policial disse que utilizou “os meios necessários e o uso progressivo da força para conter o autor”. Já a mulher de Santos diz que “os chutes foram letais para ele” porque o homem estava muito magro em decorrência do alcoolismo.
— Ele estourou todas as costelas do meu marido. Estourou a bexiga, o rim, o pulmão...
Fernanda diz que vai seguir até a Corregedoria da Polícia Militar e que vai buscar um advogado para o caso. “Eu devo isso a ele”, diz a mulher que chora ao relatar o ocorrido.
— Eles sabem onde eu moro. Se eles quiserem fazer alguma coisa comigo, vão fazer. Eu quero Justiça. Eu estou disposta a pagar esse preço.
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência do caso, a farda do policial e as algemas que foram danificadas durante a abordagem foram encaminhadas à perícia.

Fonte: R7

R7 entrou em contato com assessoria da SSP (Secretaria de Segurança Pública), mas não obteve resposta até o fechamento dessa reportagem.

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